Para mal dos
meus pecados,
Tenho os critérios errados!
Nem médico ou enfermeiro,
Nem técnico de saúde,
Nem GNR nem bombeiro;
Nem sequer vou amiúde
Visitar um qualquer lar,
Nem cuido de algum doente,
Nem estou na linha da frente
De coisas pra “desvirar”.
Também não estou nos oitenta.
E, logo pra meu azar,
Cinquenta e cinco passei,
Mas no meu CV não tenho
A abençoada maleita
Que me daria a receita
Para a vacina tomar.
É galo! Pura injustiça!
Anticonstitucional!
Sendo eu são, maior de idade,
Não ter quem me recomende
Para um grupinho de risco
Só pode ser por maldade!
Sou um simples
confinado
Que, como qualquer penante,
Que, como qualquer mortal,
Só quer morrer descansado,
Se possível, mais adiante
E de morte natural.
Mas se por
ventura acharem
Que não posso tomar já
Essa poção, por desgraça,
Saibam que serei vingado:
Pois quantos mais a tomarem,
Em cada dia que passa,
Menos provável será
Que venha a ser infectado.
Zé Veloso
Que assim seja! Queres fugir com o r... à seringa!!!
ResponderEliminarAbração.
Eu só quero ver se a malta se acalma, que ou nos safamos todos ou não vamos lá. E quando digo "safamos todos" estou a pensar a nível mundial.
Eliminar...és único Zé Veloso!
ResponderEliminarEncantado estou...
Obrigado. Não exageres.
EliminarContinue a deliciar-nos Ze Veloso. Muitos parabéns!
ResponderEliminarObrigado.
EliminarMuito bem...Lindo...
ResponderEliminarObrigado.
EliminarMuito giro, como sempre, tudo o que tem o teu cunho é sempre muito curioso. Adorei, beijinhos
ResponderEliminarObrigado, Alice.
EliminarJá me fartei de rir. Muito bom, claro. Um grande beijinho da filha confinada para o Pai confinado mas bem vingado!
ResponderEliminarObrigado, Patrícia, rir é saúde!, confinados ou não.
ResponderEliminarSem dúvida! É o melhor remédio!
ResponderEliminarDO DEPORTADO AO CONFINADO
ResponderEliminarSocorrer-te desejava,
Meu Caro Amigo Veloso,
Mas, tão de longe, era obra,
Que, na escrita, a tens de sobra,
Ousar eu essa manobra.
Da tua trova inspirada,
à sobra do verde pinho,
Um só rumor me ficou,
A tinir devagarinho,
Nas sinapses cerebrais.
Oitenta seria demais,
Para tão ativa mente,
Cinco e mais cinquenta,
Soa exageradamente,
E o povo já não aguenta.
Coisas do nosso Veloso,
Que, à maestria do verbo,
Nos Lysíadas plasmada,
Junta sempre aquele gozo,
Que faz rir a marralhada.
Maio, pá, não vai tardar,
Sofreia lá teu desejo,
Daquela poção malvada,
Os velhos deixa passar,
Vai recordando o solfejo,
E põe-te a bordoar.
Passei noites em claro,
Passei dias inteiros,
Bati dedos, parti quilhas,
Mas, coitado, fico a milhas,
Destes dons da natureza.
Dos transes da ventureza,
Deste Poeta inspirado
A lembrar o Tolentino,
O Bocage e o O’Neill
Que sempre bebe do fino.
Caro Arménio,
ResponderEliminarMais de dois anos passados passei por aqui e acho que te fiquei a dever uma palavra. Provavelmente, telefonei-te na altura, já me não recordo...
Que bela resposta a tua!
Um abração a destempo.
Zé Veloso