quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

o estado de emergência e os "votos cómodos"

Depois de ter atingido os piores índices pandémicos a nível mundial, Portugal começou, enfim, a melhorar a sua situação. Dizem os cientistas, todos eles, que o brusco abaixamento do número de novos casos se deve ao confinamento a que nos temos sujeitado. Os mesmos cientistas afirmam, unanimemente, que ainda não é tempo de abrandar, que temos de continuar confinados.

É neste contexto que a Assembleia da República discutiu hoje o decreto de renovação do Estado de Emergência, indispensável para que o dito confinamento possa continuar.

Estranhamente, ou melhor, como habitualmente, quatro partidos e uma deputada independente votaram contra, enquanto um outro partido se absteve.

Há quem chame a estes votos “votos incómodos”, porque não sendo decisivos – 6,5% contras; 8,3% abstenções – têm o condão de incomodar as consciências.

Porém, tendo-me dado ao trabalho de seguir a sessão e escutar atentamente os argumentos utlizados por cada um, tenho a convicção de que quem votou contra e quem se absteve, se neste momento tivesse a responsabilidade de governar, forçosamente teria votado a favor!

É por isso que estes votos não chegam a ser incómodos. Eles são, simplesmente, “votos cómodos”: – se as coisas correrem bem doravante, ninguém se irá lembrar de quem votou… até porque o bem raramente é notícia; – se as coisas correrem mal, sempre nos virão dizer que nunca votaram a favor!

Zé Veloso

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