Depois de ter atingido os piores
índices pandémicos a nível mundial, Portugal começou, enfim, a melhorar a sua situação. Dizem os cientistas, todos eles, que o brusco abaixamento do número
de novos casos se deve ao confinamento a que nos temos sujeitado. Os mesmos
cientistas afirmam, unanimemente, que ainda não é tempo de abrandar, que temos
de continuar confinados.
É neste contexto que a Assembleia
da República discutiu hoje o decreto de renovação do Estado de Emergência, indispensável
para que o dito confinamento possa continuar.
Estranhamente, ou melhor, como
habitualmente, quatro partidos e uma deputada independente votaram contra,
enquanto um outro partido se absteve.
Há quem chame a estes votos “votos
incómodos”, porque não sendo decisivos – 6,5% contras; 8,3% abstenções – têm o
condão de incomodar as consciências.
Porém, tendo-me dado ao trabalho de
seguir a sessão e escutar atentamente os argumentos utlizados por cada um, tenho
a convicção de que quem votou contra e quem se absteve, se neste momento
tivesse a responsabilidade de governar, forçosamente teria votado a favor!
É por isso que estes votos não chegam
a ser incómodos. Eles são, simplesmente, “votos cómodos”: – se as coisas
correrem bem doravante, ninguém se irá lembrar de quem votou… até porque o bem
raramente é notícia; – se as coisas correrem mal, sempre nos virão dizer que
nunca votaram a favor!
Zé Veloso
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